Setembro é sempre um mês festivo para o município de Uruçuí. Afinal é um período em que, de fato, ele foi instalado sob a égide de uma legislação. Deixou de ser vila, virou cidade. Mesmo tendo seu embrião legal forjado pela lei nº 290, de 23 de junho de 1902. Uma lei aprovada por uma assembleia legislativa estadual composta pelos seguintes deputados: Antônio Rodrigues Coelho, Antônio Celestino Franco Sá, Joaquim das Chagas Leitão, Manoel Raimundo da Paz, Raimundo Antônio de Farias, Juscelino Gomes de Carvalho, José Olímpio de Melo, Francisco de Moraes Correia, Benedito José do Rego Filho, João Ribeiro Gonçalves Filho, Lisandro Ferreira da Silva, Antônio Guilherme Machado de Miranda, José de Almendra Freitas, José Antônio Saraiva, Raimundo José Dantas, Raimundo Borges da Silva, Altino Brandão Filho, Firmino Marques Drumond de Carvalho, Thomás Rebelo de Oliveira Costa, Constâncio de Carvalho, Luís de Moraes do Rêgo, Pedro Melchíades de Moraes Brito, Bertolinio Alves Rocha Filho e Altino José Ribeiro. O governador do Estado era o Magistrado Arlindo Francisco Nogueira.
Já são 119 anos de uma trajetória cheia de milhares de acontecimentos e transformações. Transformações não só estruturais, mas também humanas. Uma cidade centenária que aprendeu os caminhos do futebol, da saúde, da educação, da serenidade, da religiosidade e, também, do agronegócio. Uma caminhada que foi principiada em ruas descuidadas, em pequenos e variados comércios e terminou por escalar os caminhos do desenvolvimento.
Uruçuí, uma comunidade que já enfrentou problemas diversos quando teve suas portas forçadamente escancaradas para entrada da temida “Coluna Prestes”; e, também, numa certa madrugada, o juiz de direito que atuava em Urussuhy, em 1922, Dr. Antônio Saraiva, foi, em trajes menores, imperativamente embarcado numa canoa à deriva nas águas do rio Parnaíba. E tantos outros casos domésticos. Mas, a cidade não se deu por vencida por conta de problemas adversos, porque muitas coisas boas também aconteceram e ainda acontecem.
Ainda, num passado não muito distante, Urussuhy viu Artur Pires rabiscar poemas que cantou a cidade e também a melancolia da alma; viu seus filhos fazendo sucesso no mundo do processo de ensino e aprendizagem; viu a saga das embarcações cedendo lugar aos transportes mais modernos e rápidos; viu os Correios aposentando o código morse e sendo substituído pela comunicação instantânea dos celulares; e também, animais cedendo lugar para motos e as “enxadas” sendo substituídas por máquinas de última geração. Também, já não se planta no mesmo solo, já não se colhe grãos com as mesmas ferramentas.
E mais, a cidade tem o Morro da Cruz que perdeu seu cruzeiro, mas não a elegância nem a identidade; tem o pescador singrando as águas em busca de alimentação e as histórias de andarilhos como Maria Laura, Severa e o Zé da Malária sendo contada em páginas eletrônicas e de livros.
Por fim, uma cidade que aprendeu a sobreviver em meio aos efeitos de uma das mais cruéis crises sanitárias do mundo. E, nesse contexto, lutou, buscou prevenção, mas também chorou a perda de muitos de seus filhos para Covid-19. Mas, apesar das adversidades, existem conquistas que são dignas de comemorações.
Portanto, setembro é tempo de comemorar mais uma primavera dessa Cidade Menina que, como canta o seu hino, é “hospitaleira, majestosa, altaneira”, é um “cartão de visita de um povo gentil”.
Anchieta Santana
Historiador